Real tem pior desempenho entre moedas no ano

Um grande destaque desta manhã foi a divulgação do PCE de junho, a inflação americana medida pelo deflator implícito do PIB. O índice registrou 0,1% em junho, em linha com o esperado, e o núcleo, que exclui as maiores altas e quedas, veio em 0,2%, também dentro das expectativas do mercado. Essa é uma boa notícia para a inflação nos Estados Unidos após o dado preocupante de ontem, que foi o crescimento do PIB americano de 2,8% no segundo trimestre, na primeira leitura, puxado principalmente pelo consumo. Esta notícia de inflação em linha com o esperado coloca novamente a chance de corte de juros na reunião de setembro. Semana que vem teremos a reunião do COPOM e do Fed, portanto, uma super quarta. O Fed deve dar alguma dica, ainda que sutil, sobre um possível pequeno corte de taxa de juros em setembro, de 5,5% para 5,25%, o que ajudaria bastante os mercados emergentes, inclusive o Brasil. É possível esperar dois cortes de juros nos Estados Unidos, trazendo a taxa básica para 5%. A inflação está com uma cara muito mais comportada quando olhamos o gráfico do PCE. Os emergentes têm sofrido muito, e o Brasil mais ainda. A moeda brasileira se desvalorizou 14% no ano, um resultado horrível, sendo a pior moeda do mundo, perdendo para a lira turca e o peso argentino. Tem sido um ano muito difícil para todas as moedas emergentes. Na média, os emergentes se desvalorizaram de 7% a 8%, enquanto o Brasil atingiu 14%. Isso se deve a questões idiossincráticas do Brasil, como o arcabouço fiscal, a incerteza em relação ao corte de despesas e a incerteza sobre quem será o novo Presidente do Banco Central, além da força do dólar no mundo e do corte de juros que não vem dos EUA, pressionando todas as moedas. Tudo isso pressiona a inflação brasileira. Com a moeda desvalorizada, tudo que é importado fica mais caro no Brasil, incluindo gasolina e petróleo, que já foram aumentados pela Petrobras. O cenário de inflação piorou muito. Hoje, a curva de juros brasileira já começa a prever altas de juros a partir da reunião de setembro, com pequenas altas de 0,25% até o ano que vem, indicando um ciclo de alta de juros no Brasil. A situação do Banco Central Brasileiro está muito mais complicada agora. O país está crescendo acima do esperado, o mercado de trabalho está ficando mais apertado, a moeda está desvalorizada e convivemos com essas incertezas. Não acho que o Banco Central fará qualquer movimento na próxima reunião, mantendo a SELIC em 10,5%, mas deve endurecer o tom, deixando em aberto o que vai acontecer nos próximos meses se esse cenário não se dissipar. A inflação está indo para longe da meta, já acima de 4% para este ano, e começa a ter uma cara de 4% para o ano que vem também, se a desvalorização cambial brasileira continuar com a força que temos visto. Todo mundo errou, eu certamente errei ao prever que o câmbio poderia voltar para R$5,00. Por hora, esse cenário parece distante.

2 thoughts on “Real tem pior desempenho entre moedas no ano”

  1. Paulo, não parecem ataques especulativos associados à uma inação – talvez por motivos políticos – do Bacen? Ou simplesmente é perigoso associar o que hoje acontece, com os ataques especulativos dos finais dos anos 90, com os fundos hedge manipulando o câmbio na Ásia?

  2. [#Economia] Real tem pior desempenho entre moedas no ano

    Resumo
    O texto aborda o desempenho do Real brasileiro em comparação com outras moedas emergentes, destacando a desvalorização de 14% no ano, a pior entre todas. Fatores como o arcabouço fiscal, incertezas políticas e econômicas, e a força do dólar contribuem para essa situação. A inflação nos EUA, medida pelo PCE, está em linha com as expectativas, o que pode indicar um corte de juros pelo Fed. No Brasil, a inflação está acima da meta, e a curva de juros sugere um ciclo de alta. O Banco Central Brasileiro enfrenta desafios significativos, com um mercado de trabalho apertado e incertezas econômicas.

    Destaques
    Divulgação do PCE de junho: O índice registrou 0,1% em junho, em linha com o esperado, e o núcleo, que exclui as maiores altas e quedas, veio em 0,2%, também dentro das expectativas do mercado. Essa notícia é positiva para a inflação nos Estados Unidos, após o dado preocupante do crescimento do PIB americano de 2,8% no segundo trimestre, puxado principalmente pelo consumo.

    Inflação americana: A inflação nos EUA está com uma cara mais comportada quando olhamos o gráfico do PCE. Isso coloca novamente a chance de corte de juros na reunião de setembro. É possível esperar dois cortes de juros nos Estados Unidos, trazendo a taxa básica para 5%.

    Reuniões do COPOM e do Fed: Semana que vem teremos a reunião do COPOM e do Fed, portanto, uma super quarta. O Fed deve dar alguma dica, ainda que sutil, sobre um possível pequeno corte de taxa de juros em setembro, de 5,5% para 5,25%, o que ajudaria bastante os mercados emergentes, inclusive o Brasil.

    Desvalorização do Real: A moeda brasileira se desvalorizou 14% no ano, um resultado horrível, sendo a pior moeda do mundo, perdendo para a lira turca e o peso argentino. Tem sido um ano muito difícil para todas as moedas emergentes. Na média, os emergentes se desvalorizaram de 7% a 8%, enquanto o Brasil atingiu 14%.

    Fatores contribuindo para a desvalorização: Questões idiossincráticas do Brasil, como o arcabouço fiscal, a incerteza em relação ao corte de despesas e a incerteza sobre quem será o novo Presidente do Banco Central, além da força do dólar no mundo e do corte de juros que não vem dos EUA, pressionando todas as moedas. Tudo isso pressiona a inflação brasileira.

    Impacto da desvalorização na inflação brasileira: Com a moeda desvalorizada, tudo que é importado fica mais caro no Brasil, incluindo gasolina e petróleo, que já foram aumentados pela Petrobras. O cenário de inflação piorou muito. Hoje, a curva de juros brasileira já começa a prever altas de juros a partir da reunião de setembro, com pequenas altas de 0,25% até o ano que vem, indicando um ciclo de alta de juros no Brasil.

    Previsões de alta de juros no Brasil: A curva de juros brasileira já começa a prever altas de juros a partir da reunião de setembro, com pequenas altas de 0,25% até o ano que vem, indicando um ciclo de alta de juros no Brasil. A situação do Banco Central Brasileiro está muito mais complicada agora.

    Desafios do Banco Central Brasileiro: O país está crescendo acima do esperado, o mercado de trabalho está ficando mais apertado, a moeda está desvalorizada e convivemos com essas incertezas. Não acho que o Banco Central fará qualquer movimento na próxima reunião, mantendo a SELIC em 10,5%, mas deve endurecer o tom, deixando em aberto o que vai acontecer nos próximos meses se esse cenário não se dissipar.

    Inflação acima da meta: A inflação está indo para longe da meta, já acima de 4% para este ano, e começa a ter uma cara de 4% para o ano que vem também, se a desvalorização cambial brasileira continuar com a força que temos visto. Todo mundo errou, eu certamente errei ao prever que o câmbio poderia voltar para R$5,00. Por hora, esse cenário parece distante.

    Conclusões
    – A desvalorização do Real brasileiro é a pior entre as moedas emergentes, influenciada por fatores internos e externos.
    – A inflação nos EUA está em linha com as expectativas, o que pode indicar um corte de juros pelo Fed.
    – O Banco Central Brasileiro enfrenta desafios significativos, com a inflação acima da meta e previsões de alta de juros.
    – A situação econômica do Brasil é complicada, com um mercado de trabalho apertado e incertezas econômicas.

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