Terça-feira, 11 de março, o destaque fica para a queda das bolsas americanas. O Nasdaq caiu 4%, enquanto a Tesla despencou 15%, refletindo um movimento negativo para várias ações. A Apple também sofreu, após anunciar que postergará a atualização da Siri relacionada à inteligência artificial.
O contexto é de crescente temor de recessão. No final de semana, Donald Trump admitiu que as medidas econômicas atuais podem levar a uma recessão no curto prazo, apesar de sua promessa de melhorar a economia no futuro. Esse discurso não foi bem recebido pelo mercado.
Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano de 10 anos caíram para 4,20%. Isso marca uma forte correção, considerando que, durante o “Trump Trade”, os rendimentos chegaram a 4,80% ou até perto de 5%. Naquele momento, o medo era de que tarifas comerciais elevassem a inflação, forçando o Federal Reserve a subir juros. Agora, esse cenário foi substituído por uma visão de estagflação – inflação persistente combinada com uma economia fraca.
Há uma expectativa de que o Fed possa cortar juros caso a recessão se confirme. Entretanto, o dólar está se valorizando, não por bons motivos, mas devido a um movimento clássico conhecido como “Dólar Smile”. Esse fenômeno ocorre quando os EUA crescem acima da média global, atraindo capital, ou quando entram em recessão, gerando fuga para ativos de qualidade, como o dólar. O resultado é que a moeda americana se valoriza tanto em momentos de crescimento acelerado quanto em períodos de crise.
Outros sinais de recessão incluem o petróleo Brent abaixo de US$ 70, o menor valor em seis meses, o que pode levar a uma redução no preço da gasolina no Brasil. Além disso, a lucratividade das empresas americanas está piorando.
O tema do momento é o medo da recessão e da estagflação, com a taxa de juros dos Treasuries de 10 anos em queda e o dólar se valorizando devido à busca por liquidez e ativos seguros. Ainda é cedo para afirmar se haverá estagflação, mas os dados devem ser acompanhados de perto.
Amanhã, saem os dados de inflação ao consumidor (CPI) nos EUA e, na quinta-feira, os preços ao produtor (PPI), ambos fundamentais para entender o comportamento da economia americana. Hoje, será divulgado o relatório JOLTS, que mostra a relação entre vagas abertas e desempregados, um indicador importante do mercado de trabalho nos EUA.
No Brasil, a produção industrial de janeiro ficou estável em relação a dezembro. Na comparação com janeiro de 2023, houve crescimento de 1,4%. Em 12 meses, a alta acumulada é de 2,9%, mas os dados mostram desaceleração. Novembro e dezembro tiveram queda, e janeiro ficou estagnado, sugerindo um crescimento mais fraco para a economia brasileira.
Amanhã, sai o IPCA de fevereiro, que deve ficar entre 1,2% e 1,3%, um número elevado. Em janeiro, a inflação foi artificialmente reduzida pelo efeito da revisão das tarifas de Itaipu.
Na próxima semana, teremos a “Super Quarta”, com reuniões do Copom e do Fed. O Banco Central do Brasil deve subir a Selic em 1 ponto percentual, levando a taxa para 14,25%. A grande questão será o tom do comunicado em relação aos próximos passos.
Por enquanto, aguardamos os dados do IPCA amanhã, além do CPI e do PPI nos EUA, que ajudarão a definir o rumo dos mercados.


