Relatório FOCUS enxerga PIB crescendo 3% no Brasil

A semana está repleta de informações relevantes para o Brasil e os Estados Unidos. No Brasil, teremos uma série de comunicações importantes do Banco Central. Amanhã será divulgada a ata do COPOM, e na quarta-feira o IPCA-15. Na quinta-feira, o Relatório Trimestral de Inflação trará as projeções do BC para o crescimento do PIB e a inflação. Na sexta-feira, teremos a divulgação do IGP-M e os dados do CAGED, com informações sobre o mercado de trabalho. Nos Estados Unidos, o destaque será o PCE na sexta-feira, a medida de inflação pelo deflator do PIB, muito importante. Hoje, foram divulgados os índices de atividade na Europa, que vieram fracos, indicando que a atividade econômica por lá continua em baixa, o que pode resultar em mais cortes de juros. O FED também se pronunciará após o período de silêncio, e há divergências entre seus membros em relação à última decisão. Uma diretora queria cortar apenas 0,25 ponto percentual, mas a maioria optou por 0,50. Esse tipo de divergência também foi visto em outros bancos centrais, como no Reino Unido, onde um diretor defendia um corte de 0,25 ponto percentual, mas acabou não sendo implementado.

Na sexta-feira, o mercado brasileiro teve um dia muito ruim, com a taxa de juros longa disparando. A ponta longa da curva subiu mais de 20, quase 30 pontos-base, e continua em alta hoje, com um acréscimo de mais 20 pontos. A taxa de janeiro de 2033 está agora em 12,50%, sendo que recentemente estava em 11,70%, uma alta expressiva. Isso foi motivado principalmente por preocupações fiscais, com o Banco Central elevando a taxa de juros em 0,25 ponto percentual na quarta-feira. Até quinta-feira, o cenário parecia mais positivo, com o juro longo caindo e o real se apreciando, mas, na sexta-feira, o governo adiou a divulgação do relatório bimestral de despesas, o que gerou incertezas no mercado. O relatório, que deveria trazer um contingenciamento de R$ 15 bilhões, foi postergado para hoje, e o ministro Fernando Haddad realizará uma coletiva às 11h para detalhar a situação. A falta de clareza fiscal trouxe impacto negativo ao mercado, especialmente porque o juro longo é fundamental para o investimento no Brasil. A alta desse juro, que baliza toda a estrutura de taxas de juros no país, dificulta a retomada de investimentos. Idealmente, o aumento do juro curto deveria fazer o juro longo cair, mas, com a pressão fiscal, isso não está acontecendo, pois o mercado demanda um prêmio de risco maior. O Boletim Focus, divulgado nesta manhã, trouxe uma projeção de crescimento do PIB para 3% em 2024, o que é uma boa notícia. No entanto, as expectativas de inflação seguem elevadas, com a projeção para este ano se aproximando de 4,4% e para 2024 perto de 4%. Para o horizonte relevante, no primeiro trimestre de 2026, a previsão de inflação já supera 3,5%. A perspectiva de maior crescimento vem, em grande parte, do impulso fiscal, que gera inflação. Enquanto o investimento no Brasil não aumentar, o país continuará preso nessa armadilha. Vamos acompanhar a semana, com destaque para os indicadores como o IPCA-15, a ata do COPOM, o Relatório Trimestral de Inflação e o IGP no Brasil. Nos Estados Unidos, o PCE será crucial para determinar se o Fed cortará mais os juros.

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