Reservas cambiais brasileiras voltam para U$350 bilhões

O destaque hoje é o novo dado do IBGE sobre o Índice de Preços ao Produtor (IPP), que mede a variação de preços na indústria. O indicador mostrou uma nova deflação de 0,20%, após a queda de 0,31% em julho, confirmando a tendência de recuo dos preços industriais. Houve redução tanto nas indústrias extrativas, com queda de 1,39%, quanto nas indústrias de transformação, com recuo de 0,15%.

Com isso, encerramos a semana com um quadro mais favorável para a inflação. Ontem, o IPCA veio um pouco abaixo das expectativas, e sua composição foi positiva: mesmo com a forte alta da energia elétrica, já esperada, houve desaceleração dos serviços e continuidade da deflação dos alimentos. O conjunto dos indicadores mostra uma abertura do IPCA melhor do que se imaginava, levando várias instituições a revisarem para baixo suas projeções de inflação para 2024.

Atualmente, há casas estimando o IPCA entre 4,6% e 4,7%, e já é possível imaginar um fechamento em torno de 4,5%, exatamente o teto da meta de inflação para 2025. Se o câmbio continuar favorável — com o real se valorizando — e o petróleo permanecer na faixa dos US$ 60 a US$ 65 por barril, esse cenário se torna cada vez mais plausível. Lembrando que o ano começou com projeções próximas de 5,7% a 5,8%, e algumas até acima de 6%. A melhora é significativa.

Grande parte desse resultado vem da atuação do Banco Central, que conduziu um aperto monetário intenso, mas necessário. Além disso, houve recomposição das reservas internacionais, que hoje somam cerca de US$ 350 bilhões, garantindo segurança ao país diante de choques externos. Essa combinação de inflação controlada, câmbio estável e reservas robustas desenha um panorama positivo para o Brasil no final do ano.

No cenário internacional, o grande foco está no apagão parcial do setor público nos Estados Unidos, que já começa a afetar aeroportos, controladores de tráfego e companhias aéreas, resultando em cancelamentos e atrasos. Além disso, a falta de divulgação de dados econômicos deixa o mercado “voando no escuro”. Mesmo assim, a expectativa permanece de que o Federal Reserve possa anunciar mais um corte de juros na reunião do fim do mês.

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