Revisitando o Rap de J.M.Keynes e F.Hayek

Acho que nuns 15% de suas ideias o Hayek acerta! No resto erra feio! Gosto da ideia do Hayek de bolhas e “excesso” de capital “inútil” criado em ciclos de crédito. Mas Keynes nunca disse que as bolhas de crédito seriam o caminho para o desenvolvimento econômico; aliás os ciclos de boom e bust (credit binge) são em geral causados pelo próprio mercado como bem analisou C. kindleberger ou H. Minsky. Gosto da ideia de função “epistemológica” (ou de descoberta) do mercado e do sistema de preços; uma maneira de as pessoas entenderem melhor o que se passa e chegarem a acordos sobre suas “ofertas” e “demandas”. Mas acho que o Hayek falha pois não percebe que num sistema complexo a solução de mercado tbem não é ótima! Acho até que ele intuiu num caminho certo, mas parou antes. Keynes foi bem mais a fundo em todas essas questões (por exemplo o caso da reflexividade do capítulo 12, depois tbem analisada por G. Soros, para não falar das Finanças comportamentais). O governo não sabe tudo de antemão nem acerta sempre em suas ações (não é onisciente!) nem o mercado é! Mas claro que o governo pode ajudar na coordenação de um sistema complexo: a economia. As dinâmicas de mercado muitas vezes levam a formação de bolhas, formação de monopólios e assim por diante! Por isso Keynes sempre foi um pragmático. Queira salvar o capitalismo do comunismo e aproveitar as virtudes do mercado bolando mecanismos quem fossem capazes de coibir seus excessos. Hayek não conseguia enxergar essas falhas intrínsecas do mercado, essa foi sua falha mais grave!

Acho também interessante o destaque que a escola austríaca da para o setor industrial. Para alguns austríacos a lá B. Baverk o setor industrial é chave. As possibilidades de divisão do trabalho na indústria ficaram conhecidas como as economias de “roundaboutness” (termo chave de HPE de toda essa discussão) que diz o seguinte: se o Robinson Crusoé estiver sozinho numa ilha vale mais a pena ele gastar tempo fazendo um barco e uma vara de pesca do que sair nadando para pescar peixes. Ou seja, se ele dividir a tarefa de pesca e “mecaniza-la” ele será bem mais PRODUTIVO do que se sair nadando para pescar. Nessa linha Allyn Young destaca a importância do roundaboutness que Smith tão bem sacou e o Bohm Baverk aprofundou. As atividades industriais são as mais propícias para se aplicar o roundaboutness (divisão do trabalho, especialização e mecanização) e, portanto, são o motor da produtividade de uma economia. Gravei um video sobre o tema:

Introdução à Keynes

Keynes sobre Hayek:

https://jlcoreiro.wordpress.com/2009/04/18/keynes-e-hayek/

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