Riqueza das nações e complexidade produtiva em 1900

O Brasil estava entre os mais pobres do mundo em 1900 de acordo com a versão 2020 da base Maddison. Terminamos o período da República Velha como um país pobre em termos relativos e absolutos apesar de ser o país mais populoso da América Latina com grande mercado interno potencial. Novo artigo de @IsabellaMWeber e outros mostra que a estrutura produtiva que um país tinha há mais de 100 anos praticamente determina sua posição atual na hierarquia global. Os autores criaram uma base inédita de comércio internacional para a era da globalização do séc. XIX, discriminando os dados o máximo possível para identificar os bens específicos que cada país exportava. Assim, puderam apurar a complexidade das estruturas produtivas de cada país. A intuição é que, se um país consegue produzir competitivamente muitos produtos que poucos outros países conseguem produzir, pode-se dizer que aquele país desenvolveu uma estrutura produtiva complexa (o conhecimento produtivo é amplo e está enraizado e disseminado na sociedade). A literatura da Complexidade mostra que bens industrializados tendem a ser complexos. Bens agrícolas e minerais tendem a ser simples. Aparelhos médicos são produzidos por poucos países diversificados. Soja é produzida por muitos países não diversificados. Só o primeiro é complexo. Os autores mostram que países competitivos em bens complexos entre 1897 e 1906 continuam competitivos em bens complexos 100 anos depois. Mais preocupante, países competitivos em bens simples continuam competitivos em bens simples, sem conseguir superar a especialização.

base maddison: https://www.rug.nl/ggdc/historicaldevelopment/maddison/releases/maddison-project-database-2020

paper isabella: https://www.rebuildingmacroeconomics.ac.uk/driving-specialisation

base: 1900

5 thoughts on “Riqueza das nações e complexidade produtiva em 1900”

  1. Para Keynes, a despeito da dicotomia clássica barter economy, a moeda não é um véu mas um ativo cujo retorno e a possibilidade de liquidação instantânea no mercado. Ou seja, um ativo singular cuja motivação para que os agentes da economia a retenham seja a chamada “preferência pela liquidez”. Não se trata de estocar a moeda apenas por precaução ou motivos transacionais mais pelo custo de oportunidade de obter um hedge sem motivados pelas dificuldades envolvidas – sunk cost of opportunity – e proteção diante de incertezas não passíveis de cálculos probabilísticos – incertezas strictu sensu, não riscos no contexto “educated guess”. Há também ativos monetários como os títulos da dívida dos EEUU – da qual se deduz risco-prêmio zero, grosso modo. Há títulos de curto prazo no portfólio financeiro de curto prazo como Certificados de Depósito. No Brasil, por muito tempo, as Letras Financeiras do Tesouro se conformavam numa posição aproximada à liquidez instantânea (BARBOSA). Em geral, no caso de Títulos do Tesouro dos EEUU, o portador – pelos motivos supracitados – mantinham suas posições até o vencimento e recebiam seu valor nominal.
    No mercado de capitais – primário, e no secundário, a depender do desenvolvimento financeiro em profundidade de um país- incluíam títulos do Tesouro Americano com vencimento de 10 a 30 anos, ativos de longo prazo, ou ainda mais, as chamadas “perpetuidades”.

  2. Por que o Brasil não se desenvolveu no século XIX, já que tinha economia e população muito semelhantes as dos Estados Unidos no início do século XIX?
    O Brasil em 1900 era mais pobre que em 1800?

      1. Concordo em parte que Portugal e Inglaterra dificultaram o desenvolvimento do Brasil no século XIX, mas impediram é outra historia.
        O desenvolvimento dos Estados Unidos na mesma época, a Inglaterra não conseguiu impedir, embora tentou.
        Acho que a historia importa muito, pois a herança cultural que tivemos de Portugal não foi de estímulo à industrialização.
        Li recentemente um artigo citado pelo senhor sobre o pífio desenvolvimento de Portugal com a riqueza extraída do Brasil no século XVIII: “The Cross of Gold: Brazilian treasure and the decline of Portugal”.

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