O mercado começou o dia com certa frustração pela ausência do aguardado anúncio do presidente Donald Trump sobre a possível redução de tarifas. A expectativa era grande, mas nenhuma confirmação veio na noite anterior. Ainda assim, pela manhã, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessant, fez um pronunciamento relevante em Washington, durante as reuniões de primavera do FMI e do Banco Mundial. Ele reforçou que os Estados Unidos continuam comprometidos com os organismos multilaterais e que “um país mais forte não significa um país isolado”, destacando o desejo de reequilibrar o comércio global, especialmente com foco na redução do déficit comercial americano.
O tom de Bessant foi mais moderado em comparação às declarações típicas de Trump, o que trouxe alívio aos mercados. Apesar da ausência de anúncios concretos, cresceu a expectativa de um eventual acordo com a China, já que tarifas superiores a 100% estão inviabilizando o comércio entre os dois países. Isso alimenta a visão de que um desfecho negociado pode ocorrer nas próximas semanas.
Nos mercados financeiros, os ativos reagiram positivamente. O índice S&P 500 retornou ao nível registrado no “Liberation Day”, em 2 de abril. Após semanas de forte volatilidade, o índice voltou ao ponto de partida, encerrando abril praticamente no zero a zero. No Brasil, o Ibovespa recuperou-se e voltou a operar acima dos 130 mil pontos, impulsionado por maior apetite ao risco global e pela valorização do real, que voltou a ser negociado abaixo de R$ 5,70 por dólar.
O alívio também atingiu os juros futuros: o contrato de DI para janeiro de 2030 caiu para 13,98%, e os vencimentos intermediários, como janeiro de 2027 e 2028, passaram a operar abaixo de 14% ao ano. Essa melhora na curva reflete o cenário externo mais calmo e a percepção de um pouso suave da economia americana.
Os dados divulgados hoje nos EUA reforçam essa leitura. Os pedidos semanais de seguro-desemprego ficaram em 222 mil, em linha com a média recente. O destaque do dia foi o relatório de bens duráveis (“durable goods”), impulsionado por um aumento expressivo nos pedidos da Boeing e forte desempenho do setor aeronáutico. Apesar do pessimismo captado por algumas pesquisas de confiança, os dados reais continuam sólidos.
O “Livro Bege” do Federal Reserve divulgado ontem trouxe duas mensagens importantes: uma leve piora na avaliação da atividade econômica e, ao mesmo tempo, uma redução da preocupação com a inflação. O termo “inflação” foi mencionado o menor número de vezes desde vários relatórios anteriores, indicando possível arrefecimento de pressões inflacionárias. Lembrando que o Livro Bege é baseado em informações coletadas pelos 12 bancos regionais do Fed.
Em resumo, os dados de abril apontam para uma economia americana ainda resiliente, sem sinais claros de contração. O cenário, por ora, permanece compatível com um pouso suave (“soft landing”), com crescimento mais moderado, mas sem grandes choques. Seguimos atentos às negociações tarifárias com a China, que podem redefinir o rumo do mercado nas próximas semanas.



