Hoje foram divulgados dados importantes sobre preços ao produtor (PPI) nos Estados Unidos. O índice avançou 0,9% em julho na comparação mensal, bem acima da expectativa de 0,2%. Na comparação anual, acelerou para 3,3%, frente a uma projeção de 2,5%. O núcleo do PPI, que exclui alimentos e energia, subiu 0,9% (esperado: 0,2%).
O resultado foi significativamente pior do que o esperado e contrasta com a leitura recente do CPI, que havia mostrado inflação mais comportada. Parte da pressão nos preços no atacado pode estar relacionada ao impacto das tarifas recentemente adotadas. Na abertura dos dados, observou-se, por exemplo, alta próxima de 40% nos preços de vegetais e verduras, e valores elevados para carnes. Esses aumentos sinalizam que as tarifas estão começando a afetar os custos de produtos alimentícios no atacado. No segmento de serviços, tarifas aéreas também apresentaram elevação.
Embora o PPI seja um indicador de preços no atacado, parte dessa alta tende a se refletir no CPI nos próximos meses. Isso acende um sinal de alerta para a trajetória da inflação americana, podendo afetar as expectativas de cortes de juros pelo Federal Reserve.
No Brasil, o IBGE divulgou a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) referente a junho, que apontou crescimento de 0,3% na série com ajuste sazonal. Esse desempenho mostra que o setor de serviços — responsável por quase metade do PIB brasileiro — seguiu em expansão, ainda que em ritmo menor. Considerando todos os dados já disponíveis, a economia brasileira deve ter crescido cerca de 0,5% a 0,6% no segundo trimestre de 2025, em relação ao primeiro, sinalizando desaceleração.
Ontem também foi anunciado um pacote de R$ 30 bilhões em medidas de apoio, majoritariamente compostas por linhas de crédito e garantias, com impacto fiscal reduzido. O objetivo é aliviar os efeitos negativos das tarifas sobre empresas. No entanto, como essas tarifas já estão em vigor, é possível que ainda vejamos novos impactos sobre preços e custos.
No mercado financeiro, o início da semana foi marcado por otimismo, com expectativa de três cortes de juros pelo Fed e valorização do real. Entretanto, o dado mais forte do PPI norte-americano trouxe cautela e interrompeu a tendência de desvalorização do dólar frente a moedas emergentes. Assim, o destaque da manhã fica para esses dois indicadores: o PPI nos Estados Unidos e a PMS no Brasil.



