O índice de preços ao produtor (PPI) dos Estados Unidos, divulgado hoje, veio com deflação de 0,3% na margem, quando o mercado esperava estabilidade — mais uma surpresa positiva. O núcleo subiu apenas 0,2%, também abaixo do previsto. Na comparação anual, o indicador desacelerou para 5,5% (ante expectativa de 6,2%), enquanto o núcleo rodou a 4,7%, contra 5,1% projetados.
O resultado se soma ao índice de preços ao consumidor (CPI), divulgado ontem e igualmente bem abaixo do esperado. Foram, portanto, duas boas notícias seguidas sobre a inflação americana. Com o quadro mais benigno, o mercado aliviou as apostas de novos apertos, jogando para setembro a probabilidade de uma eventual alta de juros. Ainda assim, comentários mais duros (hawkish) de dirigentes do Federal Reserve na tarde de ontem — no sentido de que um único indicador não significa “missão cumprida” — estragaram um pouco a festa e mantiveram viva essa hipótese. De todo modo, houve claro alívio no cenário de curtíssimo prazo.
No Brasil, o destaque ficou por conta do setor de serviços, cuja produção recuou com força em maio, enquanto o mercado trabalhava com estabilidade ou queda mais modesta. Apesar de o setor ainda operar quase 20% acima do nível pré-pandemia, o dado revela uma desaceleração mais intensa da atividade. Vale lembrar que os serviços respondem por cerca de 70% da economia brasileira, e aproximadamente metade das atividades pesquisadas registrou contração no mês.
No acumulado do ano, o setor avança 1,9%, e 2,6% em 12 meses — números que reforçam o sinal de perda de fôlego. A retração foi disseminada, com destaque negativo para o turismo e para o transporte de passageiros e cargas. Na semana passada, a indústria também veio mais fraca, e ainda teremos o IBC-Br nos próximos dias. Entre os poucos pontos positivos, os serviços profissionais e administrativos subiram 1,9%, e o segmento de informação e comunicação — ligado à tecnologia — avançou 5,2%, mostrando algum vigor nos serviços mais sofisticados.
A combinação de boas notícias de inflação nos EUA (CPI ontem, PPI hoje) valorizou bastante o real na sessão anterior. Já o quadro de atividade mais fraca no Brasil aumenta consideravelmente a chance de mais um pequeno corte da Selic na reunião de agosto.


