Setor de serviços segue em expansão no Brasil

O resultado da PMS, divulgada na manhã desta terça-feira, 14 de outubro. O indicador mostrou uma leve alta de 0,1% em agosto, na comparação com julho — praticamente uma estabilidade, mas ainda assim um resultado positivo, que mostra resiliência do setor de serviços. Vale lembrar que a PMS cobre cerca de 50% das atividades de serviços do país, enquanto o setor de serviços como um todo responde por quase 75% do PIB brasileiro. Portanto, trata-se talvez da pesquisa de atividade econômica mais importante do IBGE para o acompanhamento do PIB mensal.

Com esse dado, temos o segundo resultado positivo da PMS no terceiro trimestre, o que reforça a expectativa de um crescimento em torno de 0,2% do PIB no 3º trimestre, descartando a hipótese de recessão. Como diz a brincadeira, os rumores sobre a “morte” da economia brasileira foram exagerados: o país não está em crise, nem em contração.

Apesar disso, o setor de serviços segue em nível historicamente elevado, mas com sinais de desaceleração, reflexo do choque de juros altos e também da virada da política fiscal, que passou de expansão para moderação nos últimos meses. O próprio PIB do 2º trimestre mostrou uma queda do gasto público em relação ao PIB, coerente com o esforço de controle inflacionário.

No front da inflação, o Banco Central colheu vitórias importantes, especialmente nos preços de alimentos. O núcleo de inflação de alimentos — que crescia a uma taxa anualizada de 16,6% no início do ano — caiu para 3,9%, uma desaceleração expressiva. As expectativas de inflação também melhoraram, com o mercado já projetando IPCA em torno de 4,6% para 2025.

Os indicadores de mercado (diferença entre títulos prefixados e NTN-Bs) apontam para uma inflação implícita abaixo de 4%, reforçando a percepção de que o processo inflacionário está sendo gradualmente debelado, ainda que com algum custo em termos de atividade.

No cenário internacional, permanece a expectativa de que o Federal Reserve possa iniciar cortes de juros na próxima reunião, apesar da falta de dados mais concretos até agora. Enquanto isso, o mercado local segue acompanhando a divulgação do Caged no dia 24, que trará um retrato mais atualizado do mercado de trabalho.

Em resumo, o dado da PMS é positivo e consistente com a desaceleração suave da economia brasileira — sem colapso, sem crise, e com sinais claros de controle inflacionário.

Deixe uma resposta