Setor Químico Fecha 2024 em alta, mas enfrenta recuo em Dezembro

O setor químico no Brasil apresentou resultados mistos em dezembro de 2024, com quedas na produção e vendas internas em comparação com novembro, mas crescimento nos acumulados trimestral e anual.

Principais destaques:

  • Queda em dezembro: A produção química (IGQ-P) caiu 1,5%, enquanto as vendas internas (IGQ-VI) tiveram uma retração mais acentuada de -10,0%. O índice de preços (IGP) também recuou 1,5%.
  • Melhoria no 4º trimestre: Comparando o 4º trimestre de 2024 com o mesmo período de 2023, houve crescimento de 5,0% na produção, 9,0% nas vendas internas e 13,7% nos preços.
  • Acumulado do ano positivo: Em 2024, o setor apresentou alta de 4,4% na produção, 7,2% nas vendas internas e 14,7% nos preços em relação a 2023.
  • Capacidade instalada em leve alta: A utilização da capacidade instalada cresceu para 62% em dezembro (+1 p.p. em relação a novembro) e fechou o ano em 64% (+2 p.p. em relação a 2023).
  • Menor impacto das importações: As importações registraram queda de -8,3% em dezembro e -7,3% no acumulado do ano, indicando menor dependência de produtos químicos estrangeiros.
  • Demanda interna fraca: O Consumo Aparente Nacional (CAN) caiu 5,0% em dezembro, refletindo uma demanda interna ainda volátil.

O setor químico mostrou recuperação ao longo de 2024, mas enfrentou desafios no final do ano. Apesar da retração de dezembro, os resultados do trimestre e do ano indicam uma trajetória de crescimento sustentado, impulsionada pela alta dos preços e maior uso da capacidade instalada.

A análise do Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) na indústria química, conforme mostrado na figura acima, revela uma tendência de queda ao longo dos anos, especialmente após 2018.

Principais observações sobre o NUCI:

  1. Tendência de queda acentuada a partir de 2018: O NUCI (linha vermelha) manteve-se relativamente estável entre 2007 e 2017, oscilando em torno dos 85%. No entanto, a partir de 2018, iniciou uma forte queda, atingindo níveis abaixo de 70% em 2023, o menor da série histórica.
  2. Recuperação parcial em 2024: O gráfico sugere que, após atingir o ponto mais baixo em 2023, o NUCI começou a se recuperar em 2024, subindo para cerca de 72%-74%. Apesar dessa melhora, o índice ainda está bem abaixo dos níveis anteriores a 2018.
  3. Correlação com Produção e Vendas Internas: O declínio do NUCI acompanha a redução na produção (barras azuis) e nas vendas internas (linha azul escura). Isso indica que a capacidade instalada está subutilizada devido à queda da demanda interna e/ou maior concorrência de produtos importados.
  4. Impacto da pandemia e desafios estruturais: O gráfico evidencia uma forte queda no NUCI em 2020, reflexo da pandemia da COVID-19 e da desaceleração da atividade econômica. Mesmo após a recuperação da economia global, o NUCI não voltou aos patamares pré-pandemia, sugerindo desafios estruturais e competitivos no setor.

Conclusão

O NUCI da indústria química segue em níveis historicamente baixos, refletindo subutilização da capacidade produtiva e desafios na competitividade da indústria nacional. A leve recuperação em 2024 pode indicar uma melhora gradual no setor, mas ainda longe dos patamares históricos. Para um retorno sustentável do NUCI a níveis superiores, será essencial o aumento da demanda interna, redução da dependência de importações e estímulos à produção nacional.

dados: Comissão Prosperidade Competitividade_RAC_RECE_28012025_até dez2024

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