O mês de setembro terminou de forma muito positiva para os ativos brasileiros. O real se valorizou, os juros longos recuaram após terem chegado a picos de 15%, e a bolsa atingiu máximas históricas. Esse movimento foi sustentado tanto por políticas acertadas do Banco Central brasileiro quanto por uma melhora do ambiente internacional, que trouxe alívio aos mercados emergentes.
Os bons fundamentos domésticos também reforçam o otimismo. O mercado de trabalho segue aquecido: a taxa de desemprego está em 5,6%, patamar inédito na história recente do Brasil. De janeiro a agosto, foram criados cerca de 1,5 milhão de empregos formais, um número expressivo. Embora o Caged de agosto tenha ficado ligeiramente abaixo do esperado (147 mil vagas contra expectativa de 180 mil), o saldo acumulado ainda indica vigor da economia.
Nos Estados Unidos, o quadro é o oposto. A prévia do mercado de trabalho da ADP surpreendeu negativamente: em vez da criação esperada de 50 mil vagas, houve corte de 30 mil. Além disso, houve revisão para baixo do dado de agosto, de 54 mil para apenas 3 mil vagas. Esses números reforçam sinais de desaceleração no mercado de trabalho americano.
A incerteza se agrava com o novo shutdown do governo federal, o vigésimo da história dos EUA. Sem acordo entre republicanos e democratas sobre o orçamento e o teto da dívida, diversas áreas do governo param ou funcionam em ritmo reduzido — de museus a empréstimos para pequenas empresas, passando pelo processamento de estatísticas econômicas. Isso pode atrasar a divulgação de indicadores cruciais para a avaliação do Federal Reserve.
Vale lembrar que o shutdown não é uma novidade para os mercados, mas sempre adiciona ruído político e aumenta a percepção de risco. A duração é incerta: pode se resolver em poucos dias ou se arrastar por semanas, dependendo da negociação no Congresso.
Nesse contexto, o mercado seguirá de perto os desdobramentos. Em outubro, o Fed terá mais uma decisão importante sobre juros, e a falta de dados pode complicar sua análise. Para o Brasil, o momento segue favorável, mas a volatilidade internacional ainda pode trazer impactos.
Assim começa o último trimestre do ano: com o Brasil mostrando força inédita em seu mercado de trabalho e ativos financeiros, enquanto os EUA enfrentam sinais de fraqueza e incertezas políticas.



