1.Inflação no Brasil: IPCA de março
• O IPCA de março subiu 0,56%, um número considerado razoável, especialmente pela desaceleração dos preços de serviços, que passaram de uma alta de 0,82% em fevereiro para 0,62% em março.
• A difusão da inflação ficou estável, mas os alimentos continuam exercendo forte pressão.
• Historicamente, os meses de janeiro a março apresentam inflação mais elevada no Brasil.
• A inflação acumulada em 12 meses permanece acima de 5%, indicando persistência de pressões inflacionárias.
• A combinação de serviços aquecidos, câmbio desvalorizado e preços de alimentos elevados sugere continuidade no aperto monetário. O mercado projeta que a taxa Selic pode subir até 15%.
2. Inflação nos EUA: sinais de deflação
• O índice de preços ao produtor (PPI) de fevereiro nos EUA registrou deflação de 0,4%, o que é significativo e incomum.
• Na véspera, o índice de preços ao consumidor (CPI) havia mostrado uma inflação modesta de 0,1%.
• Esses dados reforçam a preocupação com uma possível recessão, além de refletirem os efeitos iniciais da incerteza gerada por políticas tarifárias do governo Trump.
3. Mercado cambial global: DXY e moedas emergentes
• O índice DXY, que mede o valor do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, caiu abaixo de 100 pontos, indicando perda de força da moeda americana.
• O euro, por exemplo, valorizou-se para US$ 1,15, após ter estado próximo da paridade há pouco tempo.
• Há uma divisão clara: moedas de países ricos estão se fortalecendo frente ao dólar, enquanto moedas de países emergentes, como o real, apresentam volatilidade e tendência de desvalorização.
4. Guerra comercial China-EUA: escalada tarifária
• A China anunciou uma elevação das tarifas para mais de 120% sobre produtos americanos, praticamente inviabilizando o comércio bilateral em certos setores.
• Os EUA exportam aproximadamente US$ 150 bilhões por ano para a China, sendo que o agronegócio é um dos mais impactados.
• A suspensão das tarifas por 90 dias gerou apenas um alívio temporário; o clima de incerteza segue alto, travando decisões de investimento e expansão industrial.
5. Atividade econômica no Brasil: dados positivos em fevereiro
• O IBC-Br, índice do Banco Central que antecipa o PIB, subiu 0,4% em fevereiro, revertendo parte da fraqueza observada em janeiro.
• O destaque foi o setor agropecuário, que teve desempenho robusto. Excluindo o agro, a atividade recuou 0,2%.
• Outros indicadores, como a PMC (comércio) e a PMS (serviços), também vieram positivos, reforçando a expectativa de crescimento do PIB no 1º trimestre de 2025.
• Esse crescimento ocorre em meio à inflação pressionada e mercado de trabalho ainda com elevada informalidade, o que complica a política monetária.
Conclusão
Temos um cenário complexo: o Brasil cresce com inflação ainda elevada, enquanto os EUA mostram sinais de deflação e desaceleração. A guerra comercial entre China e Estados Unidos aumenta a incerteza global, o que pode afetar decisões de investimento e fluxo de capitais nos próximos meses.


