Fed manteve juros em 4,5%. Alguns diretores do Fed têm uma visão mais otimista. Christopher Waller, por exemplo, já mencionou a possibilidade de cortes de juros mais rápidos. Inclusive, há especulações de que ele possa substituir Jerome Powell no comando do Fed daqui a dois anos, quando termina o mandato de Powell. Donald Trump, por sua vez, tem demonstrado preocupação com a inflação e já criticou o Fed, afirmando que os juros estão muito altos. Ele também prometeu reduzirá a inflação, principalmente via petróleo barato. No Brasil, o Copom divulgará sua decisão às 18h30. Não há dúvida de que a taxa Selic será elevada em 1 ponto percentual, passando para 13,25%. O foco também estará no comunicado de hoje e na ata da próxima terça-feira. O Copom já havia sinalizado previamente esse aumento de 1 ponto percentual hoje e mais 1 ponto percentual em março, e é isso que deve ocorrer. Houve divergências na diretoria no passado, mas, atualmente, os membros do Copom indicam que a barreira para alterar o forward guidance é alta. Dessa forma, há 99,9% de certeza de que a Selic subirá para 13,25% agora e para 14,25% em março.
A grande questão é onde o ciclo de alta dos juros vai parar. O mercado busca pistas sobre isso no comunicado de hoje. A Selic pode atingir 14,25% e depois subir mais 0,50 ponto percentual (para 14,75%) e mais 0,25 ponto percentual (para 15%). Esse seria um ponto de estabilização esperado, até porque o mercado de trabalho tem mostrado melhora. O câmbio também influencia essa dinâmica. O dólar a R$5,85 representa um cenário muito mais tranquilo do que a cotação de R$6,30, cujo efeito inflacionário seria insustentável. Ainda pode haver aumento no preço do diesel, mas talvez a gasolina não suba no curto prazo. O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos está em patamares extremamente elevados. Se o Fed mantiver os juros em 4,5% e a Selic ultrapassar 15%, teremos um diferencial superior a 10 pontos percentuais, o que atrai operações de carry trade. Esse movimento já levou o real a ser uma das moedas mais valorizadas do mundo em janeiro e ajudou na recuperação da bolsa brasileira. O cenário atual, embora ainda desafiador, é mais tranquilo do que o da última reunião do Copom, realizada no auge da turbulência. Naquele momento, o Copom prometeu três altas consecutivas de 1 ponto percentual e o mercado cambial estava sob forte pressão. Ainda assim, os juros longos seguem elevados. O governo brasileiro está se financiando com taxas próximas a 15% ao ano para prazos de 10 anos, o que é um custo muito alto.



