Superquarta tem decisões de FED e BC sobre taxa de juros

Estamos começando a semana com um cenário de juros em alta tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil. Essa elevação reflete preocupações com a atividade econômica e a inflação. No Brasil, os dados recentes de atividade econômica foram bastante positivos, com destaque para o varejo, que apresentou resultados acima das expectativas, assim como os serviços, medidos pelo PMS, que também superaram as previsões para janeiro. Além disso, o CAGED registrou a criação de cento e oitenta mil vagas formais, ajustadas sazonalmente, e mais de duzentas mil vagas sem ajuste em janeiro. Esses indicadores demonstram que a economia brasileira está mais aquecida do que se previa, levando o BTG a revisar sua previsão de crescimento para este ano, agora em dois ponto três por cento.

Nos Estados Unidos, observa-se uma situação semelhante, porém relacionada mais à preocupação com a inflação do que com a atividade econômica. Os dados de preços no atacado mostraram um PPI dobrado em relação às expectativas, enquanto o CPI também apresentou números um pouco piores do que o esperado para fevereiro. Essa pressão inflacionária foi suficiente para impulsionar os juros de longo prazo para quatro e trinta, atingindo a máxima do ano. Esse movimento também afetou o mercado brasileiro, com o real se desvalorizando para quatro noventa e nove em relação ao dólar, e os juros longos subindo significativamente.

Além disso, a bolsa também sofreu com esses movimentos nos últimos dias da semana passada, devido ao rali nos títulos americanos. Essa é a situação com a qual começamos a semana da “super quarta-feira”. Neste dia, teremos a reunião do Banco Central Brasileiro, que deverá cortar a Selic de onze e vinte e cinco para dez e setenta e cinco, possivelmente sinalizando mais um corte na reunião de maio para 10,25%. A expectativa é de que eles reduzam a sinalização plural de cortes nas próximas reuniões, passando a indicar um corte único, sem um comprometimento futuro mais explícito.

Além disso, teremos a decisão do Banco Central dos Estados Unidos, que não deve mudar a taxa de cinco e meio, mas provavelmente dará indicações sobre os próximos passos futuros. O mercado ainda acredita em cortes em junho, mas a discussão agora gira em torno do tamanho desses cortes, se serão de vinte e cinco pontos base, três ou apenas dois. Também hoje teremos a reunião do Banco Central do Japão, que pode finalmente retirar ou indicar a retirada dos juros nominais negativos, algo que não acontece desde dois mil e sete, devido às preocupações com a inflação e o aumento dos salários.

Outros bancos centrais, como o da Turquia e do Canadá, também terão decisões esta semana. Um dado importante que saiu ontem foi a produção industrial da China, que se mostrou mais forte do que o esperado, impulsionando o preço do minério de ferro. No entanto, o setor imobiliário continua fraco, com uma queda de nove por cento na última medida mensal, indicando quase três anos de estagnação.

Deixe uma resposta