Tarifas de Trump já pressionam custo do alumínio nos EUA

O destaque econômico desta manhã foi a divulgação, pelo IBGE, das vendas no varejo de dezembro. O varejo restrito registrou uma queda de 0,1% em relação a novembro, indicando uma leve retração. Já o varejo ampliado, que inclui vendas de veículos e materiais de construção, apresentou uma queda mais expressiva de 1,1% no mesmo período. Esse resultado se soma a outros indicadores recentes que apontam para uma desaceleração da atividade econômica no Brasil. Os dados de produção industrial, divulgados anteriormente, também indicaram quedas consecutivas em novembro e dezembro. Apesar disso, o desempenho do varejo no acumulado de 2024 foi positivo, com alta de 4,7%, uma das maiores dos últimos 10 anos. Contudo, na análise de curto prazo, o Brasil claramente caminha para uma desaceleração. A principal dúvida é o grau dessa desaceleração e se o país entrará ou não em recessão. O cenário atual sugere uma desaceleração moderada, ou “soft landing”, impulsionada pela continuidade das transferências de renda que sustentam o PIB. Amanhã, o IBGE divulgará a taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua, um dado importante para avaliar a atividade econômica no país.

Inflação nos EUA: Sinal de Alerta

O principal dado econômico internacional de ontem foi a inflação americana, que veio acima do esperado. O índice de preços ao consumidor (CPI) subiu 0,5% em janeiro, enquanto o mercado esperava 0,3%. O núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, subiu 0,4%, levando a uma taxa anualizada de 3,3%, acima da meta de 2% estabelecida pelo Federal Reserve. Essa inflação mais alta representa um desafio adicional para a política monetária americana. A pressão inflacionária está, em parte, relacionada ao aumento dos preços de insumos como o alumínio, cujo preço nos EUA disparou recentemente. O anúncio de novas tarifas sobre o aço e o alumínio pelo ex-presidente Donald Trump impulsionou essa alta, mesmo antes das tarifas entrarem em vigor. O alumínio, fundamental para a construção civil, já se aproxima dos níveis de preço observados durante a pandemia, e essa alta deve impactar os custos de diversos setores e pressionar ainda mais a inflação. A inflação persistente dificulta os planos do Federal Reserve de cortar os juros no curto prazo. O mercado, que inicialmente esperava um corte já no primeiro semestre de 2024, agora adia essa expectativa para o segundo semestre. A renda média mensal nos EUA, que gira em torno de US$ 5.000, é significativamente superior à de países asiáticos, como o Vietnã, onde a média é de US$ 500, e do Brasil, onde o valor não chega a US$ 1.000 por mês. Essa disparidade encarece a produção americana e intensifica o impacto inflacionário das tarifas propostas por Trump.

Mercados e Geopolítica

Os mercados globais reagiram de forma negativa à divulgação do CPI americano, com quedas nas bolsas e alta nas taxas dos Treasuries de 10 anos, que chegaram a 4,65%. No entanto, o clima melhorou hoje com rumores de um possível acordo de paz entre Rússia e Ucrânia, mediado por Trump. A expectativa é que o compromisso envolva a Ucrânia renunciando à entrada na OTAN e uma divisão negociada dos territórios ocupados. Essa perspectiva trouxe algum alívio, com os Treasuries recuando para 4,60%. Ainda hoje, o mercado acompanhará a divulgação do índice de preços ao produtor (PPI) nos EUA, que pode trazer mais pistas sobre a dinâmica inflacionária. O comportamento dos preços no atacado é um importante termômetro para as pressões inflacionárias no curto prazo. A sazonalidade desfavorável no início do ano, comum tanto nos EUA quanto no Brasil, tende a manter os índices de inflação elevados até abril. O desafio, tanto para o Federal Reserve quanto para o Banco Central brasileiro, será calibrar as taxas de juros em meio a esse cenário volátil e incerto.




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