Tarifas Recíprocas, Inflação e Impacto dos Juros no Brasil

Atualização importante sobre tarifas recíprocas anunciadas pelo presidente Donald Trump. Ele afirmou que irá impor tarifas a países que aplicam tarifas sobre os produtos dos Estados Unidos. O Brasil se destaca entre os países que mais tarifam os EUA, com uma tarifa média de 14%, junto com Argentina, Paquistão e Bangladesh. Isso pode afetar setores como o aço brasileiro, embora nada tenha sido anunciado de forma específica até o momento.

Por outro lado, a balança comercial Brasil-EUA é equilibrada, com exportações e importações girando em torno de US$ 40 bilhões cada. O Brasil não aparece entre os 10 países com maior déficit comercial com os EUA—essa lista inclui China, México, Irlanda e Alemanha.

O mercado abriu mais tranquilo nesta segunda-feira (10/02), apesar de um estresse registrado na sexta-feira devido a rumores sobre um possível aumento no Bolsa Família, que foram desmentidos pelo Ministério da Fazenda. Após esse episódio, o dólar chegou a se valorizar, mas agora opera em queda, com o real se apreciando e os juros longos recuando.Na sexta-feira, foi divulgado o dado do payroll nos EUA, com criação de 150 mil vagas, um número moderado. No entanto, a revisão do dado de dezembro para 300 mil vagas pressionou a curva de juros americana.Já no Brasil, os dados econômicos continuam fracos. A produção industrial voltou a cair, e há sinais de desaceleração. O Bradesco, por exemplo, projeta que o Brasil pode ter entrado em recessão técnica no terceiro e quarto trimestres de 2024. Indicadores como confiança empresarial, vendas de papelão ondulado, tráfego de caminhões e outros apontam para uma atividade econômica mais fraca.

Para esta semana, o foco está na inflação:
– No Brasil, o IPCA de janeiro será divulgado amanhã, com projeção de 0,30% a 0,40%. No entanto, esse número pode enganar, pois a queda no preço da energia (devido a chuvas e bandeira verde) reduziu temporariamente a inflação.
– Nos EUA, serão divulgados o CPI (inflação ao consumidor) na quarta-feira e o PPI (inflação ao produtor) na quinta-feira, além de testemunhos no Congresso sobre a economia americana.

Na semana passada, a ata do Copom reforçou o compromisso do Banco Central com o combate à inflação, indicando sinais de aceleração inflacionária. A meta de inflação contínua de 3% para o terceiro trimestre de 2026 ainda está distante, pois a projeção nesse horizonte está acima de 4%. Com isso, o Banco Central pode endurecer a política monetária, levando a Selic para 14,25% na próxima reunião e possivelmente para 15%. Esse seria o maior choque de juros no Brasil desde 2006, com impacto negativo sobre a atividade econômica.

Por fim, no câmbio, um cenário de juros elevados pode fortalecer o real. Com um diferencial de juros alto, há uma pressão forte para a apreciação da taxa de câmbio, podendo levar o dólar para a casa dos R$ 5,50. O carrego está muito alto, tornando o real atrativo para investidores estrangeiros.

 

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