Taxa de desemprego caiu para 5,1% no Brasil

IBGE: a taxa de desemprego caiu para 5,1%, o menor nível da série histórica. Considerando as revisões e interpolações disponíveis, trata-se do patamar mais baixo em mais de trinta anos, com registros semelhantes apenas nos anos 1980. É um dado impressionante e confirma o quão aquecido está o mercado de trabalho brasileiro.

É importante, no entanto, fazer duas qualificações. Primeiro, trata-se de um indicador defasado, que olha o mercado de trabalho pelo retrovisor. Quando projetamos o cenário para 2026, a perspectiva já é de um mercado um pouco mais frouxo, menos tensionado do que hoje. Segundo, os dados mais recentes do Caged, divulgados ontem, ajudam a reforçar essa leitura de desaceleração na margem.

O Caged mostrou a destruição de cerca de 600 mil vagas formais em dezembro, um resultado bastante fraco e pior do que o padrão histórico para o mês, que costuma ficar entre 400 mil e 500 mil vagas negativas. Com isso, a criação líquida de empregos formais em 2025 ficou em aproximadamente 1,279 milhão de vagas, o pior desempenho desde o período da pandemia. Pela ótica do emprego formal, há uma desaceleração clara do mercado de trabalho.

Portanto, convivemos hoje com duas mensagens ao mesmo tempo. Em nível, o mercado de trabalho segue muito aquecido, com desemprego historicamente baixo. Na margem, porém, ele começa a perder força, o que dialoga diretamente com o movimento já sinalizado pelo Banco Central. O BC praticamente confirmou o início do ciclo de cortes da Selic em março, e a discussão agora gira em torno do ritmo: se o corte inicial será de 0,25 ponto ou 0,50 ponto percentual. À luz dos dados recentes, ganha força a hipótese de cortes de 0,50, justamente porque o mercado de trabalho começa a desacelerar, o que tende a ajudar no controle da inflação, especialmente a inflação de serviços.

Outro dado relevante foi o de rendimento médio, que atingiu R$ 3.603, também o maior valor da série histórica. O número de pessoas ocupadas chegou a mais de 102 milhões, outro recorde. Houve um momento durante a pandemia em que o rendimento médio se aproximou de R$ 3.500, mas aquele episódio foi totalmente atípico: o desemprego estava em torno de 15% e milhões de trabalhadores de menor renda perderam o emprego, elevando artificialmente a média salarial. Foi um “efeito estatístico ruim”, resultado de exclusão do mercado de trabalho.

Hoje, o quadro é completamente diferente. Temos 102 milhões de pessoas trabalhando e um rendimento médio de R$ 3.603, o que de fato representa uma máxima histórica em bases saudáveis. É, sem dúvida, uma excelente notícia do ponto de vista cíclico e social.

Ainda assim, esse dado também escancara uma limitação estrutural: o Brasil continua sendo um país de renda média baixa, muito distante do padrão de renda das economias desenvolvidas. Em países europeus, como Holanda, Alemanha, Itália ou Suíça, assim como no Japão e nos Estados Unidos, o rendimento médio mensal gira em torno de R$ 30 mil a R$ 35 mil. Ou seja, estamos cerca de dez vezes atrás.

Isso reforça um ponto central do debate de longo prazo: para que o Brasil se torne um país rico, será necessário sofisticar profundamente o seu tecido produtivo. Não basta crescer com base em serviços simples ou commodities. Precisamos produzir mais — e melhor —: chips e semicondutores, química fina, mecânica de precisão, bens e serviços intensivos em tecnologia e conhecimento. Só assim será possível elevar de forma sustentável a produtividade e os salários.

Em resumo, os dados mostram que o Brasil está indo bem nesta fase do ciclo econômico, especialmente nos últimos anos. Mas também deixam claro que estamos muito aquém do potencial e do nível de renda que poderíamos — e deveríamos — alcançar.

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