A COBRA Equipamentos (Companhia Brasileira de Equipamentos) tem uma trajetória emblemática no desenvolvimento da indústria de tecnologia da informação no Brasil. Sua história está profundamente ligada à política de substituição de importações, à reserva de mercado de informática e à tentativa brasileira de criar uma indústria nacional de computação nos anos 1970 e 1980. A seguir, um resumo histórico:
Origens e Fundação (1974)
A Cobra foi fundada em 1974, fruto de uma parceria entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), o Centro Técnico Aeroespacial (CTA) e a empresa Ferranti, do Reino Unido. O objetivo era claro: criar uma empresa nacional capaz de desenvolver e fabricar computadores, reduzindo a dependência de equipamentos estrangeiros em setores estratégicos.
Inspirada no projeto do minicomputador G10, desenvolvido no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), a Cobra começou sua atuação fabricando computadores para bancos, empresas públicas e instituições de pesquisa. O modelo G10 foi adaptado e aprimorado internamente.
Reserva de Mercado e Expansão (anos 1980)
A Cobra cresceu rapidamente na esteira da Política Nacional de Informática, que instituiu reserva de mercado para empresas brasileiras no setor de tecnologia. Durante esse período, a empresa se consolidou como fornecedora de computadores, terminais bancários e sistemas para instituições financeiras, órgãos públicos e empresas estatais.
Seus equipamentos eram usados, por exemplo, no processamento de dados da Receita Federal e do INSS, além de bancos públicos como o Banco do Brasil, que se tornou seu principal cliente.
Crise com a Abertura de Mercado (anos 1990)
Com a abertura da economia brasileira nos anos 1990, especialmente após a revogação da reserva de mercado de informática em 1991, a Cobra não conseguiu competir com as gigantes internacionais como IBM, HP e Compaq. O avanço da globalização e a mudança do paradigma tecnológico — do hardware para o software e serviços — afetaram fortemente seu modelo de negócio.
A empresa entrou em crise financeira e foi incorporada pelo Banco do Brasil, tornando-se uma subsidiária focada em soluções tecnológicas para o setor bancário.
Nova Fase: Cobra Tecnologia e BB Tecnologia e Serviços (2000–presente)
A Cobra foi reestruturada e, em 2004, passou a se chamar Cobra Tecnologia S.A., tornando-se o braço de tecnologia do Banco do Brasil. Posteriormente, foi renomeada como BB Tecnologia e Serviços, ampliando sua atuação para soluções de TI, automação bancária, segurança digital e processamento de dados.
Hoje, a empresa presta serviços para o setor público e financeiro, mantendo a missão de apoiar a transformação digital do Estado e da infraestrutura bancária brasileira.
Legado
Foi a primeira fabricante de computadores genuinamente brasileira; Teve papel central no desenvolvimento de uma indústria nacional de informática; É um exemplo clássico dos limites e das possibilidades de políticas de substituição de importações e proteção estatal em tecnologia.


Paulo Gala,
No início da década de 90, no meu serviço só havia impressora brasileira.
Avaliando o que aconteceu com a Cobra diria que tudo é questão de momento. O grande problema da Cobra foi ter vindo antes do Collor. Tivesse vindo depois do Trump teria feito o maior sucesso.
Boa noite, Paulo! leio muito seus informes. Agora no tocante a COBRA (computadores brasileiros) houve o seguinte: A Korea do Sul abriu mercado e atraiu empresas americanas o que gerou um forte desenvolvimento local. O Brasil ao contrário fechou o mercado e a desculpa era a COBRA, mas na verdade estava grandes empresários, tais como CTBC de Uberlândia. Só que esses empresários não investiram e não desenvolveram nada. E a COBRA tornou mais um cabide com recursos governamentais. Era só prejuízo. Diziam os boatos da época havia sempre um general que ia naquela cidade mineira buscar dinheiro (da CTBC) para manter junto aos deputados da arena a tal reserva de mercado. E assim o Brasil perdeu o bonde da informática. Você pode entrevistar antigos funcionários do Banco do Brasil.
Bom dia, Sr Paulo Gala! Você leu o meu comentário? O que achou?
Ótimo!