O principal evento da semana ocorre amanhã, na chamada “Super Quarta”, quando serão anunciadas as decisões de política monetária tanto do Federal Reserve quanto do Banco Central do Brasil. A expectativa inicial aponta para uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa brasileira, enquanto o Fed tende a optar pela manutenção dos juros no nível atual.
No ambiente internacional, o petróleo apresentou leve recuo, mas continua acima de US$ 100 por barril (Brent), um patamar bastante elevado — sobretudo se comparado aos US$ 60–70 observados poucas semanas atrás. Trata-se de um choque expressivo, com potenciais efeitos inflacionários relevantes.
A grande novidade, porém, veio do mercado doméstico: o Tesouro Nacional realizou leilões extraordinários de recompra de títulos públicos, movimentando um volume significativo, próximo de R$ 27 bilhões. Esse tipo de intervenção não era observado desde dezembro de 2024, período que, inclusive, registrou um nível de estresse superior ao atual.
Naquela ocasião, entre o fim de 2024 e o início de 2025, as taxas de juros de longo prazo superaram os 15%, enquanto o câmbio chegou a R$ 6,30. Já no episódio recente, as taxas longas atingiram cerca de 14% no pico, com o câmbio em patamar mais apreciado, oscilando entre R$ 5,20 e R$ 5,35.
Um ponto que merece destaque é a rapidez da atuação do Tesouro desta vez, mesmo sem um quadro de estresse tão agudo. A resposta foi eficaz: houve recuo nas taxas, com os vencimentos intermediários ao redor de 13,5% e os mais longos também cedendo após o pico recente.
As operações abrangeram a recompra de títulos prefixados (LTN e NTN-F) e papéis indexados à inflação. Além disso, o Tesouro sinalizou continuidade da estratégia, com novos leilões combinando compra e venda de títulos, o que permite atuar diretamente sobre a estrutura a termo de juros e ajustar a inclinação da curva.
Essa intervenção é relevante por contribuir para a redução da volatilidade e por indicar uma atuação coordenada da política econômica em momentos de maior incerteza. Vale lembrar que o Tesouro não realizava esse tipo de operação há mais de um ano, reforçando o caráter excepcional da medida.
O contexto global segue desafiador, marcado pelo choque no preço do petróleo e pela intensificação das tensões no Oriente Médio. A elevada volatilidade nos mercados financeiros é motivo de preocupação, pois pode comprometer crescimento, investimento e as condições financeiras em geral.
No setor energético, os danos à infraestrutura e os gargalos logísticos — especialmente na região do Estreito de Ormuz — continuam pressionando os preços. Ainda que alternativas como o oleoduto saudita até o Mar Vermelho tenham ganhado relevância, o cenário permanece bastante sensível.
Nos Estados Unidos, os efeitos já começam a aparecer: o preço da gasolina saltou de cerca de US$ 2,80–2,90 para algo entre US$ 3,60 e US$ 3,70 por galão, uma alta próxima de 20%. Esse movimento tende a se refletir na inflação e, por consequência, influenciar as decisões futuras do Federal Reserve.
Em suma, a atuação do Tesouro brasileiro deve ser interpretada como parte de uma estratégia para mitigar a volatilidade e evitar um aperto excessivo das condições financeiras, em um ambiente externo ainda bastante adverso.


