Ontem, o relatório ADP nos Estados Unidos trouxe um resultado muito fraco, e o índice ISM de serviços também veio abaixo do esperado, o que aumentou as apostas do mercado em cortes de juros por parte do Federal Reserve. Hoje, saem os dados de initial jobless claims, e amanhã é aguardado o Payroll, principal indicador do mercado de trabalho americano.
Outro dado importante divulgado ontem foi a balança comercial dos EUA, que mostrou uma forte redução do déficit em abril — recuando para cerca de US$ 80 bilhões. Trata-se de uma das maiores compressões do déficit em décadas, possivelmente em toda a série histórica. Parte desse resultado se explica pela queda nas importações da China, o que está relacionado às tarifas impostas por Trump e à antecipação de compras no início do ano, diante da expectativa de medidas protecionistas. A reversão na balança EUA-China tem sido expressiva.
Na Europa, o BCE confirmou o corte da taxa de juros em 0,25 ponto percentual, reduzindo a taxa básica para 2%. A inflação ao consumidor (CPI) veio ontem em 1,9% ao ano — abaixo da meta de 2% — e hoje foi divulgada uma deflação de 2,2% no índice de preços ao produtor (PPI), o que reforça a tendência de alívio inflacionário. O corte de juros, no entanto, não foi unânime dentro do BCE. A economia europeia segue fraca, com destaque negativo para a Alemanha, cuja produção industrial e PIB estão praticamente estagnados — um sinal claro de que o “coração industrial” da Europa segue patinando.
O contraste com os EUA é notável. A economia americana continua a mostrar força, e o país lidera em tecnologia e inovação. Um exemplo simbólico é a NVIDIA, que se tornou recentemente a empresa mais valiosa do mundo, ultrapassando US$ 3 trilhões em valor de mercado — mais do que o valor total da bolsa de valores da Alemanha. Isso reforça a narrativa do “excepcionalismo americano”, com empresas globais de altíssimo valor agregado que não encontram equivalentes na Europa.
Por fim, uma boa notícia para o Brasil: ontem, o país realizou com sucesso uma emissão externa de US$ 2,75 bilhões em títulos de 5 e 10 anos. A demanda elevada mostra a confiança dos investidores estrangeiros, mesmo em um momento de incertezas fiscais internas. A possível aprovação do projeto para compensar IOF e medidas que afetam benefícios tributários também estão no radar. Vamos acompanhar o desenrolar das discussões no Congresso. Amanhã, o mercado volta as atenções ao Payroll de maio, dado crucial para as próximas decisões do Fed.






Dívida Externa publica? Se sim, nao faz o menor sentido.