Recentemente, as ações da Thyssenkrupp registraram uma alta significativa impulsionada pelo anúncio de um pacote militar substancial pelo governo alemão. Em março de 2025, surgiram informações de que a coalizão governamental alemã estava considerando a criação de fundos especiais, totalizando quase um trilhão de euros, destinados a investimentos em defesa e infraestrutura. Desse montante, aproximadamente 400 bilhões de euros seriam direcionados ao setor de defesa, representando cerca de 20% do PIB alemão. Essa perspectiva levou a um aumento expressivo nas ações de empresas do setor de defesa, incluindo a Thyssenkrupp, que viu suas ações subirem significativamente. Além disso, em fevereiro de 2025, a Thyssenkrupp revisou sua projeção de fluxo de caixa livre para o ano, passando a estimar um valor entre zero e 300 milhões de euros, em contraste com a previsão anterior de um fluxo negativo entre 200 e 400 milhões de euros. Essa mudança positiva deve-se, em grande parte, ao recebimento de um bilhão de euros em adiantamentos referentes a um grande pedido de submarinos por parte do governo alemão. Esses desenvolvimentos ressaltam a importância dos contratos de defesa para a Thyssenkrupp e como investimentos governamentais no setor podem influenciar positivamente o desempenho financeiro e o valor de mercado da empresa.
A Thyssenkrupp é uma das maiores empresas industriais da Alemanha, com uma história que remonta ao século XIX. Sua origem está ligada a duas grandes siderúrgicas: a Thyssen, fundada em 1891 por August Thyssen, e a Krupp, que teve suas raízes estabelecidas em 1811 por Friedrich Krupp. Ambas desempenharam papéis fundamentais no desenvolvimento da economia alemã, tornando-se grandes fornecedoras de aço, armamentos e infraestrutura. Em 1999, as duas companhias se fundiram para formar a Thyssenkrupp, consolidando sua posição como um dos maiores conglomerados industriais da Europa.
Desde o início, a empresa teve uma forte dependência de contratos públicos, especialmente do governo alemão. Durante o século XIX e início do século XX, a Krupp se destacou como principal fornecedora de armamentos para o exército alemão, vendendo canhões, navios de guerra e blindados. A empresa teve um papel central na Primeira Guerra Mundial, fornecendo equipamentos para as forças alemãs, o que a tornou um dos maiores complexos industriais militares do mundo. Após a derrota da Alemanha em 1918, a Krupp enfrentou dificuldades devido às restrições impostas pelo Tratado de Versalhes, mas conseguiu se reerguer nas décadas seguintes.
Na Segunda Guerra Mundial, a dependência da empresa em relação ao governo alemão se aprofundou ainda mais. A Krupp se tornou um dos principais fornecedores da máquina de guerra nazista, produzindo tanques como o famoso Panzer, artilharia pesada e submarinos. A empresa também utilizou trabalho forçado em suas fábricas, incluindo prisioneiros de guerra e trabalhadores escravizados de campos de concentração. Após o fim da guerra, a Krupp foi desmantelada pelos Aliados, e seu presidente, Alfried Krupp, foi condenado por crimes de guerra. No entanto, na década de 1950, a empresa foi reabilitada e voltou a se tornar um gigante industrial.
Durante a Guerra Fria, a empresa voltou a contar com contratos públicos para sua recuperação. O governo da Alemanha Ocidental e seus aliados ocidentais incentivaram o reerguimento da indústria alemã como parte da reconstrução pós-guerra. A Thyssen e a Krupp se beneficiaram de projetos de infraestrutura, incluindo a construção de rodovias, ferrovias e indústrias estratégicas. Além disso, contratos militares voltaram a ser uma fonte significativa de receita, já que a Alemanha Ocidental precisava se fortalecer diante da ameaça da União Soviética.
Atualmente, a Thyssenkrupp ainda mantém uma relação forte com o setor público, especialmente em projetos de defesa, infraestrutura e energia. A empresa produz submarinos para a Marinha alemã, como os modelos da classe 212A, que são amplamente utilizados pela Bundeswehr e exportados para outros países. Além disso, a Thyssenkrupp fornece aço para projetos ferroviários e de construção financiados pelo governo. Embora tenha diversificado seus negócios para setores como engenharia mecânica, elevadores e tecnologia automotiva, sua história demonstra uma forte e contínua dependência de contratos públicos para manter sua posição como um dos principais conglomerados industriais da Alemanha.

