O setor químico passou por transformações profundas nas últimas décadas, refletindo mudanças estruturais na economia global, políticas industriais e dinâmicas energéticas. No final da década de 1980 e início dos anos 1990, Brasil e China tinham um faturamento químico relativamente próximo, com US$ 30 bilhões e US$ 40 bilhões por ano, respectivamente, enquanto os Estados Unidos lideravam o setor com US$ 250 bilhões. No entanto, os caminhos tomados por cada país foram drasticamente diferentes, levando a um novo cenário global. Em 2022, a China consolidou sua posição como líder mundial, com um faturamento de US$ 2,3 trilhões, os EUA atingiram US$ 640 bilhões, e o Brasil ficou em US$ 168 bilhões.
A China impulsionou seu setor químico com políticas agressivas de subsídios governamentais, planejamento estatal e integração da indústria química com a expansão industrial do país. O governo chinês garantiu investimentos massivos em petroquímica, fertilizantes, fármacos e materiais avançados, além de facilitar a formação de grandes conglomerados estatais e privados. A rápida industrialização e urbanização chinesa geraram uma demanda interna massiva por produtos químicos, permitindo à China superar não apenas o Brasil, mas também os EUA e a Europa, tornando-se o maior polo químico do mundo.
Os Estados Unidos, por sua vez, viram uma revolução no setor químico com o boom do shale gas a partir da década de 2010. A exploração de gás de xisto trouxe gás natural barato, reduzindo drasticamente os custos de insumos para a indústria química americana, especialmente na produção de etanol, eteno, amônia e plásticos. Esse fator aumentou a competitividade da indústria química americana no mercado global, permitindo exportações mais baratas e um crescimento significativo da margem de lucro das empresas do setor.
O Brasil, por outro lado, não acompanhou o dinamismo dos EUA e da China. Embora tenha crescido de US$ 30 bilhões para US$ 168 bilhões entre os anos 1990 e 2022, sua evolução foi bem mais modesta. O setor químico brasileiro enfrentou custos elevados de matéria-prima, falta de políticas industriais robustas e uma dependência de importação de insumos básicos, como fertilizantes e intermediários petroquímicos. A ausência de um gás natural barato, como nos EUA, e a falta de incentivos governamentais estratégicos, como na China, limitaram o crescimento da indústria química nacional.
O cenário atual reflete essas diferenças estruturais: a China domina a indústria química global, os EUA consolidaram sua competitividade graças ao shale gas, e o Brasil ainda luta para reduzir custos e desenvolver uma cadeia produtiva mais integrada. A capacidade do Brasil de crescer nesse setor dependerá de avanços na política industrial, investimentos em inovação e maior aproveitamento dos recursos energéticos e petroquímicos disponíveis.

