O IPCA fechado de junho: veio com alta de 0,24%, após ter subido 0,46% em maio. É o menor índice mensal desde janeiro, ficando um pouco acima da mediana das expectativas, que estava em torno de 0,20%. De forma geral, o dado é razoável.
Nas aberturas, os núcleos de inflação desaceleraram levemente: a média passou de 0,31% para 0,29%. Alimentos e bebidas seguem com comportamento benigno, alguns itens até com deflação – como saladas, verduras e outros. A valorização cambial recente ajudou a segurar os preços dos alimentos, e a difusão da inflação alimentar caiu bastante: de 60,5% para 46%. A inflação de serviços, por outro lado, subiu um pouco, para 0,40% no mês, mantendo os 12 meses em 6,18%.
Outro dado relevante: a difusão geral do IPCA também recuou, de 60% para 54%. Então, apesar de o índice cheio ter vindo levemente acima do esperado, há sinais positivos de desaceleração nos núcleos e nos alimentos, o que dá um tom benigno ao resultado.
Mas a grande notícia de ontem, e bem mais preocupante, foi o anúncio de novas tarifas de 50% por parte do governo Trump. Elas atingem diversos setores da economia brasileira: máquinas e equipamentos, suco de laranja, café, petróleo, entre outros. Isso é bastante significativo, já que os Estados Unidos são o segundo maior destino das exportações brasileiras, com cerca de 12% de participação (somados, China e EUA representam quase 40% das vendas externas do Brasil).
Importante destacar: ao contrário do que diz a retórica de Trump, os EUA têm superávit comercial com o Brasil, ou seja, exportam mais para cá do que importam. Essa tarifa é bastante agressiva e pode desmobilizar muitos negócios – um choque tarifário de 50% é muito severo. Ainda há incerteza sobre a efetiva implementação da medida: a decisão final deve sair até o começo de agosto. Ontem, o câmbio chegou a subir dois centavos com a notícia, mas já devolveu parte da alta, com o real se apreciando e os juros futuros recuando.
É importante acompanhar os desdobramentos: se o Brasil vai responder, se haverá retaliação, e qual será o impacto sobre o comércio bilateral. O gráfico que mandei para o Cesário Molhada ajuda a visualizar essa relação. Vale lembrar que, embora os EUA sejam o segundo parceiro comercial do Brasil, são o maior investidor estrangeiro no país nas últimas duas décadas, com forte presença via multinacionais.




