A exportação de 22 aeronaves Embraer A-29 Super Tucano, que gerará aproximadamente US$ 396 milhões em divisas em dezembro de 2024, é um exemplo emblemático da importância de produtos de alto valor agregado na pauta exportadora brasileira. Esse montante é equivalente ao valor gerado pela exportação de 1,08 milhão de toneladas de soja, que exige a utilização de aproximadamente 341 mil hectares de área plantada, além de recursos significativos em termos de irrigação, colheita, transporte e logística.
A comparação ilustra a diferença estrutural entre exportar produtos de alta tecnologia, como aeronaves, e commodities agrícolas. No caso da soja, o Brasil precisa mobilizar vastas extensões de terra fértil, demandar altos volumes de insumos agrícolas e enfrentar os desafios ambientais e logísticos para escoar a produção. Por outro lado, a exportação de aeronaves envolve um setor intensivo em conhecimento e tecnologia, capaz de gerar um impacto econômico expressivo em menor escala de recursos físicos e ambientais.
Essa disparidade também revela o potencial estratégico da indústria de alta tecnologia para o Brasil. Setores como o aeroespacial podem gerar mais riqueza por unidade exportada, reduzir a dependência de commodities e criar empregos qualificados. Além disso, investimentos em tecnologia incentivam a inovação, a transferência de conhecimento e o fortalecimento das cadeias produtivas locais.
Por fim, essa análise reforça a necessidade de políticas públicas e privadas que diversifiquem a pauta exportadora brasileira, estimulando a produção de bens de maior valor agregado. Embora o agronegócio continue sendo fundamental para a economia nacional, um equilíbrio maior entre commodities e produtos tecnológicos é essencial para garantir sustentabilidade econômica e competitividade global no longo prazo.


O agronegócio precisa ser levado a produzir não somente comodities de baixo valor agregado, o que fazem muito bem, e exportar produtos de maior valor agregado feitos com as matérias primas que produzem.
Creio que o modelo exportador de commodities e matérias-primas, interessa mais a grandes grupos econômicos do que investir no nosso parque fabril. Por interesse de grupos e pela força econômica e persuasiva desses mesmos grupos, o Brasil deveria se transformar num imenso pasto, e deixar os produtos tecnológicos para serem produzidos fora do nosso país.
Creio que essa é a mentalidade de parte das elites, (do atraso) que estão aqui desde as capitanias hereditárias. Funcionam como um freio de mão puxado, com relação ao progresso tecnológico do Brasil. Mas que deve receber os aplausos de todos os países exportadores desses mesmos produtos tecnológicos.
Enquanto o Brasil permanecer deitado em berço esplêndido, seremos um concorrente a menos para eles, no mercado global.