Um resumo das ideias do filósofo F. Nietzsche

Friedrich Nietzsche foi um filósofo alemão do século XIX conhecido por sua crítica à moralidade tradicional, sua defesa da vontade de poder e sua ideia do “além-do-homem”. Ele questionava valores como moralidade cristã e apontava para uma ética baseada na individualidade e na superação de si mesmo. Sua obra influenciou diversas áreas, incluindo filosofia, psicologia e literatura, e é marcada por sua abordagem provocativa e perspectiva única sobre a existência humana.

O “Crepúsculo dos Ídolos” é uma obra de Nietzsche que busca desconstruir e criticar os valores e ideias que ele considera como “ídolos” da cultura ocidental, como a moralidade tradicional, a religião e a filosofia dogmática. Nietzsche argumenta que esses ídolos obscurecem a verdadeira natureza da existência humana e limitam o potencial de autoafirmação e criação individual. Ele propõe uma visão iconoclasta, que busca libertar os indivíduos das amarras das convenções sociais e morais, encorajando a busca pela própria verdade e autenticidade. O “Crepúsculo dos Ídolos” é uma obra densa e provocativa que desafia os fundamentos da cultura ocidental, convidando os leitores a questionarem e repensarem suas próprias crenças e valores.

A ideia de Nietzsche sobre a “morte de Deus” refere-se à percepção de que a sociedade moderna abandonou a crença em Deus como fonte última de significado e moralidade. Ele argumentava que os avanços científicos e a racionalidade crescente levaram à rejeição da religião como uma explicação satisfatória para a existência. Em vez disso, os cientistas e filósofos começaram a buscar a verdade através da razão e da investigação empírica, colocando a busca pela verdade no lugar de Deus como a mais alta autoridade.

Nietzsche criticava essa mudança ao afirmar que, ao matar Deus, os cientistas não eliminaram a necessidade de uma autoridade suprema, mas simplesmente substituíram Deus pela verdade como objeto de adoração. Ele via isso como uma forma de idolatria, onde a verdade científica era reverenciada como um novo Deus, mas sem oferecer um sistema de valores ou significado que satisfizesse plenamente as necessidades humanas.

Essa ideia sugere que, ao substituir a religião pela busca pela verdade científica, a sociedade moderna ainda busca algo transcendental para adorar e orientar suas vidas, mas agora o faz através da ciência e da razão.

Nietzsche via a razão não apenas como um instrumento neutro para entender o mundo, mas também como uma expressão de desejos e impulsos humanos. Ele argumentava que, no fundo, a razão é uma emoção, uma força motivadora que busca controlar e dominar o mundo ao nosso redor.

Para Nietzsche, a racionalidade não é apenas um meio de compreender a realidade, mas também uma manifestação da vontade de poder humano, o impulso básico de afirmar a própria existência e exercer influência sobre o ambiente. Ele via a busca pela verdade e pelo conhecimento como uma expressão desse impulso de controle, uma tentativa de dominar o desconhecido e torná-lo familiar e previsível.

Nesse sentido, a razão não é apenas um processo objetivo, mas também uma emoção subjetiva que molda nossa compreensão do mundo e nossas interações com ele. Nietzsche criticava a ideia de que a razão era puramente racional e desprovida de desejo, argumentando que, na verdade, ela é impulsionada por motivações emocionais e impulsos de poder.

Essa perspectiva de Nietzsche sobre a razão desafia a visão tradicional de que a racionalidade é imparcial e objetiva, sugerindo que ela é moldada por nossas necessidades, desejos e aspirações mais profundas.

6 thoughts on “Um resumo das ideias do filósofo F. Nietzsche”

  1. Grande filósofo! Mas na minha opinião errado em vilanizar a sociedade ocidental e a moralidade cristã. Infelizmente morreu sozinho e louco.

    1. Filósofo, cientista e louco, todos nós temos um pouco. Vale a leitura comparativa das épocas vivenciadas, e buscar juízo de convicção!

  2. Pensar Nietzsche é sobretudo lançar se nos labirintos da multiplicidade, numa (usando um conceito, de outro grande filósofo, Gilles Deleuze), lógica dos sentidos…ou seja, uma completa transvaloração dos valores.
    O tradicional pensamento binário e seu jogo racional de significantes e significados, não consegue dar conta das zonas de intensidades que o expressar filosófico de Nietzsche nos convida a mergulhar…temos que nadar no oceano do caos e nas potências da Gaia pra minimamente reinventarmos singulares valores da experiência estética que Nietzsche introduz no modo de ,”subjetivação”, como dizia Michel Foucault…pensar Nietzsche foge interpretação acadêmica: é um encontro com a tragédia e Dionísio dançando num corpo sem órgãos, jogando nos no olho do furacão e aniquilando tudo o que é decadente…pensar Nietzsche é acender uma dinamite dentro do coração e depois da completa explosão de alteridades, criar novos valores, como artistas: músicos, Artistas plásticos, cineastas, poetas…
    Precisamos criar uma singular linguagem que seja capaz de compor platôs de forças que se deslocam numa potência afirmativa da vida…

  3. Filosofar é bom, mas ô povo que gosta de viajar…
    Cabeça nas nuvens, mas pé no chão, gente!
    Kkkk

  4. Quem não aceita as constatações nietzscheanas nao sabe de nada e com certeza é de uma hipocrisia crônica

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