Uso da capacidade instalada da indústria química brasileira caiu ao pior nível histórico em 2023

A utilização da capacidade instalada da indústria química atingiu a pior marca da série histórica em 2023. Esse cenário é muito preocupante com forte queda de vendas, produção e exportações de produtos químicos. É importante ressaltar que, em um ano em que a economia brasileira apresenta um crescimento de 3%, a indústria química experimentou uma contração de 10%. Essa contração industrial no setor químico mostra um processo preocupante de desindustrialização da economia nacional. Os setores mais sofisticados, com maior conteúdo tecnológico e salários mais elevados perdem espaço no PIB, contrastando com o crescimento impulsionado principalmente pelo setor de serviços de menor sofisticação. Esse resultado é consequência da concorrência desafiadora de produtos asiáticos, com destaque para os chineses. A presença desses produtos no mercado brasileiro, muitas vezes resultante de práticas como dumping ambiental e subsídios públicos, dificulta consideravelmente a competição para a produção doméstica brasileira. Diante desse panorama preocupante, torna-se evidente a necessidade de ação do governo e de medidas estratégicas para proteger e fortalecer a indústria química, preservando sua vitalidade e potencial contribuição para a economia nacional.

Em 2023 a produção e exportação de volumes físicos de produtos químicos de uso industrial apresentaram forte recuo na comparação com o ano anterior, de -10,1% e -10,9%, respectivamente. Ainda que a parcela de volume físico das importações tenha crescido 7,8%, a demanda brasileira, medida pelo consumo aparente nacional (produção mais importação menos exportação) – CAN, caiu 1,5% em 2023, em relação ao ano anterior. Vale ressaltar que esta queda anual representou a segunda consecutiva, uma vez que em 2022, a demanda havia recuado 5,8% na comparação anual. O CAN, bem como a abertura das parcelas que o compõem, revela como anda a capacidade de competição das empresas instaladas no País em relação às suas congêneres em outras localidades e, em 2023 refletiu a continuidade de um mercado desaquecido. O setor não consegue competir com a agressividade do importado e nem tampouco buscar alternativas no mercado externo. As vendas internas encolheram fortemente, -9,4%, no ano passado. No que se refere à utilização da capacidade instalada, o segmento operou no patamar de 64%, seis pontos percentuais abaixo daquele registrado na média de todo o ano de 2022 (70%), tendo sido o nível médio de operação de 2023 o menor de toda a série histórica da entidade, que remonta ao ano de 1990. Consequentemente, o nível de ociosidade, de 36%, também é o pior patamar dos últimos 30 anos. Para o segmento químico, que trabalha em processo contínuo, o ideal seria que a ocupação das instalações ficasse acima de 85%, sendo que abaixo de 80% passa a ser um nível crítico e preocupante, pois, além da menor viabilidade econômica e custos unitários mais altos, também demanda mais paradas para manutenção, piorando a eficiência das plantas, e, pior, não estimulando a realização de novos investimentos em aumento de capacidade. Operações industriais nesses níveis de capacidade levam a resultados de produtividade e de eficiência que desestimulam, muitas vezes, a continuidade da produção.

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