Vagões, tratores e autopeças: a complexidade da Iochpe-Maxion

*escrito com Pietro Parronchi UFABC

Um caso que também nos serve de exemplo na dinâmica de ganho de complexidade produtiva a partir de produtos com elevada “conexão produtiva” e evolução corporativa é a companhia gaúche Iochpe-Maxion. Fundada em 1918, no Estado do Rio Grande do Sul, teve como ramo inicial o segmento madeireiro, e pelas demais décadas o grupo consolidou-se e ganhou porte nesse segmento, sabidamente de baixa complexidade. A inflexão na sua estrutura corporativa rumo ao aumento de complexidade ocorre em 1983. Nesse ano a Iochpe, em conjunto com o BNDES, adquire 57,3% da operação brasileira da empresa canadense Massey-Ferguson, que atuava no setor de tratores.

A atuação no segmento industrial pelo grupo Iochpe através da produção de tratores agrícolas passou por momentos difíceis durante a década de 80 e o ponto de destaque é justamente o dinamismo que esse grupo empresarial adotou a partir do conhecimento adquirido nesse setor industrial, diante das dificuldades que passava o segmento, para agir ramificando as atividades para outros setores com “alta conexão produtiva” como apresentado pelo Atlas da Complexidade; justamente entre o segmento de maquinas agrícolas com o segmento de vagões de carga, e partes de veículos. Em 1990 o grupo Iochpe adquire da Engesa, a FNV (Fabrica Nacional de Vagões), empresa que teve a sua origem durante o Governo Vargas, com o intuito de fornecer ao Brasil vagões ferroviários dada a impossibilidade que o ambiente de guerra produziu, pois os EUA, país exportador desses produtos, não podia fornece-los. A FNV durante os anos 70 entrou no segmento de produção de rodas, chassis e componentes automotivos, portanto a Iochpe passou a atuar nos segmentos com forte “conexão produtiva”: vagões ferroviários, rodas, chassis e componentes automotivos.

Em 1998, dado o crescimento da produção, a Iochpe reestrutura o grupo em duas divisões, a Maxion Fundição e Equipamentos Ferroviários, e a Maxion Componentes Estruturais. O grande salto do grupo Iochpe-Maxion acontece em 2000, quando conclui o processo de reestruturação iniciado em 1998, ao vender 50% da divisão ferroviária, formando uma joint-venture com a estadunidense Amsted Industries, e concentra seus esforços na divisão de Rodas, Chassis e componentes automotivos. Essa opção foi bem afortunada pois capturou o ciclo de expansão na produção de veículos que o Brasil registraria mais adiante. Em 2009 o grupo Iochpe-Maxion adquiriu as atividades de rodas no Brasil, México e EUA do grupo ArvinMeritor, que no passado havia comprado a indústria brasileira de produção de rodas, Fumagalli. Nos subsequentes anos a companhia brasileira seguiu com uma política de crescimento por aquisições, e comprou as mexicanas Nugar e Galaz, a argentina Montich, e a estadunidense Hayes Lemmerz. Posicionando-se globalmente na produção de rodas, chassis e componentes estruturais para veículos.

Com uma história de dinamismo empresarial e ramificação de produção a partir de “produtos com alta conexão” o Grupo Iochpe-Maxion ascende a condição de multinacional, com 31 unidades fabris espalhadas pelo mundo, e atualmente detém a liderança mundial na produção de rodas, com capacidade de produção de mais de 61 milhões de unidades ano. Mais uma vez corrobora-se o sucesso na atuação conjunta entre o Estado, fomentando via BNDES, um grupo empresarial com alto índice de governança, investimento em Pesquisa e Desenvolvimento, e exposição a competição global por inserção contínua às Cadeias Globais de Valor, e a busca por atuação em segmentos complexos e um exemplo de evolução produtiva por atuação em “produtos com altas conexões”. Hoje a Iochpe-Maxion está na vanguarda tecnológica através do desenvolvimento de novas rodas no estado de arte, dado a tecnologia que permitiu significativa redução de peso e resistência estrutural de seus produtos. O grupo atualmente está focado na ampliação da capacidade produtiva das rodas de alumínio, posicionando-se em um ramo especifico do setor com maior valor agregado.

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