Em março de 2025, o comércio varejista brasileiro registrou crescimento de 0,8% em relação a fevereiro, atingindo o maior patamar da série histórica iniciada em 2000. Esse avanço marcou o terceiro mês consecutivo de alta, elevando a média móvel trimestral para 0,6%. Seis das oito atividades pesquisadas apresentaram crescimento, com destaque para o setor de livros, jornais, revistas e papelaria (28,2%), influenciado por mudanças no calendário escolar, e para equipamentos e material de escritório, informática e comunicação (3,0%), impactado pela variação cambial. No entanto, na comparação com março de 2024, o volume de vendas do varejo caiu 1,0%, refletindo uma base de comparação elevada e outros fatores econômicos .
No setor de serviços, o volume cresceu 0,3% em março de 2025 frente a fevereiro, acumulando um ganho de 1,2% nos dois meses consecutivos de resultados positivos. Esse desempenho posiciona o setor 16,9% acima do nível pré-pandemia (fevereiro de 2020) e apenas 0,5% abaixo do pico histórico registrado em outubro de 2024. As principais contribuições vieram dos transportes (1,7%), serviços prestados às famílias (1,5%) e serviços profissionais, administrativos e complementares (0,6%). Na comparação com março de 2024, o volume de serviços cresceu 1,9%, mantendo uma sequência de doze resultados positivos consecutivos .





Esses dados confirmam que a economia brasileira segue em crescimento, ainda que com sinais de desaceleração na margem, como costuma dizer o Banco Central. O país opera com baixa ociosidade, com varejo e serviços próximos de suas máximas históricas, e taxa de desemprego nas mínimas históricas. Isso explica por que a inflação de serviços segue pressionada, dada a força do mercado de trabalho e a elevada utilização da capacidade instalada.
Diante disso, é difícil vislumbrar cortes na taxa de juros em 2025. A taxa Selic deve permanecer elevada — entre 14,75% e 15% ao ano — pelo menos até o fim deste ano. Uma eventual queda só seria possível em meados de 2026, dependendo do comportamento da taxa de câmbio, hoje oscilando entre R$ 5,70 e R$ 5,80. Se o câmbio recuar para perto de R$ 5,00, o cenário melhora consideravelmente para o Banco Central.

