Varejo no Brasil em máxima histórica

Ontem foi um dia difícil no mercado devido ao CPI (inflação) americano, que ficou em 0,37% para março, quando o esperado era 0,3%. O mercado está muito preocupado com a questão das taxas de juros nos EUA. Um artigo de hoje do jornalista Nick Timiraos do Washington Post, próximo aos diretores do Fed, sugere que a questão agora não é mais somente “quanto” haverá corte de juros nos EUA, mas sim “se” haverá. O mercado já zerou as apostas de corte em junho, transferindo parte delas para julho e setembro. Há uma discussão sobre a possibilidade de o juro não cair nos EUA este ano, especialmente com esse dado de inflação ruim. Isso fez com que o rendimento do Tesouro de 10 anos subisse para 4,56%, levando o dólar a atingir sua máxima em cinco meses em relação às principais moedas do mundo, e o real também estava prestes a se fortalecer desde o início da semana, mas mudou após esse dado. Os juros futuros também atingiram a máxima do ano no Brasil, com o contrato de vencimento em janeiro 34 querendo alcançar 11,5. A curva de juros tanto nos EUA quanto no Brasil subiu muito, enquanto o IPCA por aqui veio em 0,16% em março, abaixo do esperado. Ontem foi um experimento controlado para ver qual dado afeta mais o Brasil, se os dados internos ou os dos EUA, e ficou claro que os dos EUA têm mais impacto. A bolsa também caiu mais de 1%. As tensões geopolíticas, como a Lufthansa interrompendo voos para Teerã, mostram que o nível de tensão está elevado no Oriente e isso afeta os ativos financeiros. Foi divulgado também o dado para o Brasil de varejo, surpreendendo positivamente em fevereiro, com uma alta de 1% contra a expectativa de queda de 1%. Na comparação anual, o varejo brasileiro cresceu 8% em fevereiro deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, atingindo seu pico histórico, o que indica uma atividade econômica mais aquecida no país. Os indicadores de janeiro já apontavam para isso, com o desemprego menor e o IBC-BR mais forte. Agora, com os dados de fevereiro, é esperado que o Brasil cresça mais de 2%, podendo até chegar a 3% se esse vigor do primeiro trimestre persistir, embora os cortes de juros agora comecem a ser questionados devido à economia mais aquecida. O próximo passo do Banco Central será crucial para determinar até onde a Selic irá. Além disso, houve notícias relevantes de inflação, como o CPI chinês abaixo do esperado em 0,1% e o PPI em queda de 2,8%, ambos na China em março. Nos EUA, o PPI saiu um pouco abaixo do esperado, o que ajudou a atenuar a discussão sobre o CPI mais forte de ontem. O BCE manteve as taxas de juros em 4,5% na Europa, sem grandes novidades, mas a possibilidade de corte na Europa agora parece maior do que nos EUA, dada a pressão inflacionária mais intensa nos EUA.

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