De acordo com o The Atlas of Economic Complexity, a Bélgica é um país de renda alta, ocupando a 15ª posição entre as 133 economias analisadas. O país completou o processo de transformação estrutural e ingressou em todos os principais setores de alta produtividade. Em 2022, foi a 25ª maior economia do mundo em termos de PIB, a 13ª em exportações totais, a 14ª em importações e a 19ª maior economia em termos de PIB per capita. O coeficiente de Gini da Bélgica, conforme dados de 2021, foi de 26,6, o que demonstra baixa desigualdade no país.
A Bélgica ocupa a 20ª posição no ranking do Índice de Complexidade Econômica (ECI). Em 2022, conforme o Observatório da Complexidade Econômica (OEC), a Bélgica estava na 19ª posição no Índice de Complexidade Econômica das trocas comerciais, considerando o PIB per capita.
Em relação às exportações, que totalizaram 542 bilhões de dólares em 2021, os principais produtos foram: tecnologia da informação e comunicação, soros e vacinas, transporte e automóveis. As exportações belgas cresceram, em média, 6,8% ao ano entre 2018 e 2021. Os três principais destinos foram França (15,52%), Alemanha (15,37%) e Holanda (13,11%).
As maiores exportações da Bélgica abrangem tanto produtos de alta complexidade, como os do setor químico, quanto de baixa complexidade, como os da agricultura. Países cujas exportações são mais complexas do que o esperado para seu nível de renda apresentam maior crescimento econômico, uma vez que o desenvolvimento é impulsionado pela diversificação do know-how e pela produção de bens e serviços mais sofisticados. Dado que o nível de complexidade da Bélgica está alinhado ao esperado para seu nível de renda, a previsão é de que a economia belga cresça lentamente, em torno de 2,4% ao ano até 2031.
As importações somaram 578 bilhões de dólares em 2021, resultando em um déficit comercial para a Bélgica naquele ano. Os principais produtos importados foram: tecnologia da informação e comunicação, soros e vacinas, transporte e automóveis. Os três principais países de origem das importações foram Holanda (17,48%), Alemanha (13,82%) e França (9,86%).
A Bélgica ocupa o 23º lugar no Índice Global de Inovação (GII) de 2023 e está na 22ª posição entre as economias de alta renda. Em comparação com os demais países de alta renda, a Bélgica apresenta desempenho acima da média em três pilares: capital humano e pesquisa, sofisticação empresarial e conhecimento e resultados tecnológicos. A Bélgica também é líder no setor da inovação, destacando-se em gastos com P&D (6ª posição), número de pesquisadores (8ª) e colaboração em P&D entre universidades e empresas (9ª).
Segundo dados do Banco Mundial e da Comissão Europeia, a Bélgica investiu 3,43% de seu PIB em pesquisa e desenvolvimento em 2021, um crescimento de 1,1% em relação a 2012. A força de trabalho belga dedicada a P&D é composta principalmente por profissionais do setor empresarial, o que indica uma forte presença de atividades lideradas por empresas privadas, embora o setor governamental e o de ensino superior também tenham papéis relevantes, refletindo a importância das universidades e instituições acadêmicas na pesquisa.
A Bélgica foi uma das primeiras nações europeias a se industrializar. Contudo, acumular conhecimento produtivo, por meio da capacidade de fabricar uma variedade crescente de produtos complexos, é um processo difícil e requer mudanças estruturais. O país conseguiu implementar essas mudanças, em parte, graças a seu histórico investimento em pesquisa científica e tecnológica, bem como em educação. A Universidade Católica de Leuven (KUL), por exemplo, foi fundada em 1425 e, no século XX, o governo belga decidiu investir no setor de semicondutores na cidade. O Centro Interuniversitário de Microeletrônica (IMEC), instalado na KUL em 1984, tornou-se o maior centro independente de semicondutores do mundo. Em seus 40 anos de existência, o IMEC gerou milhares de patentes e várias empresas derivadas (spin-offs), contribuindo para que a principal exportação da Bélgica seja a área de tecnologia da informação e comunicação.
Atualmente, o governo belga continua investindo em pesquisa e desenvolvimento, o que mantém o IMEC como um dos principais centros de produção de semicondutores. Devido a esses investimentos, a Bélgica desenvolveu 10 novos produtos desde 2006, principalmente no setor químico, representando 175 dólares per capita em 2021.
A Bélgica ocupa o 17º lugar no ranking global de registros de patentes, com 14.290 pedidos em 2022. No que diz respeito ao número de requerimentos de patentes por milhão de habitantes, o país está na 14ª posição, e na 16ª quando analisados os requerimentos por 100 bilhões de dólares do PIB. Entre as patentes belgas, destacam-se as áreas de farmacêutica, biotecnologia, tecnologia médica, máquinas especiais e engenharia civil.
A Bélgica também se encontra em uma posição intermediária no valor agregado da manufatura per capita. Embora não esteja entre os líderes mundiais, a indústria manufatureira belga mantém uma posição competitiva, o que demonstra sua contribuição para o desenvolvimento econômico do país.
Esses dados confirmam que a economia belga é complexa, com um vasto know-how distribuído entre pessoas e empresas, gerando uma diversidade de produtos intensivos em conhecimento. A aprendizagem produtiva da Bélgica tem sido crucial para o desenvolvimento do país, pois o know-how afeta a renda e o crescimento, e tende a aumentar ao longo do tempo. Assim, como a complexidade econômica é tanto um sintoma quanto um fator de prosperidade, a Bélgica já é e tende a continuar sendo uma economia complexa.



